Prefeituras digitais melhoram prestação de serviços e diminuem gastos
Além
de fazer bem para a saúde, facilitar a vida das pessoas e solucionar problemas
a partir de smartphones ou computadores, a chamada prefeitura
digital ajuda a diminuir gastos públicos e gera ganhos de eficiência.
Na
Grande Florianópolis, Palhoça utiliza ferramentas digitais para atender seus
cerca de 172 mil habitantes. Entre junho de 2018 e fevereiro de 2020, um total
de 2,17 milhões de problemas foram resolvidos sem a necessidade de os moradores
saírem de casa.
Nesta
época de pandemia os sistemas de gestão pública “tipo nuvem” e a Internet são
cada vez mais importantes aliados da sociedade.
A
gestão digital também é essencial para garantir a continuidade dos atendimentos
durante a quarentena. “Hoje conseguimos trabalhar com um sistema totalmente
web, integrado, onde todos os setores se comunicam e as informações estão
disponíveis em tempo real. Além de ter ampliado a eficiência, conseguimos
também ter muito mais transparência das nossas ações porque todos os dados
alimentados já vão para o Portal da Transparência. Conseguimos melhorar,
inclusive, o nosso relacionamento com o cidadão, prestando contas em tempo real
de tudo o que está acontecendo dentro da prefeitura, em todos os setores, desde
o banco de tributos até o de compras e o RH”, comenta a secretária de
administração Cristina Schwinden.
Menos
papel e mais transparência
No
norte do Estado, Rio Negrinho implantou 65 serviços no Portal de
Autoatendimento para facilitar a vida de seus 41 mil habitantes. Isso deu aos
moradores o poder de, por exemplo, solicitar alvarás, certidões negativas de
débitos, consultar notas fiscais, o andamento de licitações e fazer atualização
cadastral – tudo on line.
Uma
das consequências positivas para a administração local em 2019 foi ter cerca de
12 mil alvarás e 15 mil carnês digitais de IPTU emitidos pela Internet,
reduzindo muito os gastos com serviços de gráfica, impressão e correios. Outra
consequência imediata foi o aumento da arrecadação em relação ao ano anterior.
No
Médio Vale do Itajaí e no Planalto Norte, as prefeituras de Indaial (com
aproximadamente 70 mil habitantes) e São Bento do Sul (cuja população é de
cerca de 85 mil moradores) também passaram a usar o sistema de empenho digital.
A ferramenta conta com um fluxo de trabalho automatizado que evita erros na
tramitação. Isso mantém os processos de compra junto a fornecedores em
andamento, evitando demora na aquisição de insumos, e assegura transparência
aos procedimentos.
A
digitalização dá para prefeitos, secretários, técnicos e administradores, em um
único sistema, toda a gestão do município. Desde processos licitatórios, atos
de RH, contabilidade, tributação, compras, arrecadação, atendimento ao cidadão,
indicadores, tudo pode ser acessado sem burocracia e com agilidade, promovendo
os resultados positivos que essas prefeituras vêm obtendo.
Isso
provoca celeridade nos processos, reduz custos com o autoatendimento da
população pela Internet e promove um amplo corte no uso de papéis, impressões,
materiais de expediente e até do arquivo morto, além do fim da necessidade de
se investir em Centros de Processamento de Dados, já que a operação é
totalmente online.
Como
os processos são realizados em workflow (fluxo de trabalho), toda fase de cada
procedimento é acompanhada. Com essa tecnologia os riscos de falhas desaparecem,
pois o próprio sistema informa para cada servidor o que precisa ser feito. Isso
amplia ainda mais a performance, pois o gestor consegue visualizar a fila de
processos e acompanhar os prazos de realização em tempo real.
A
diretora técnica de Administração de Rio do Sul, Laiana Ossemer, avalia que a
digitalização dos processos traz agilidade e transparência ao cidadão, pois o
que era realizado fisicamente hoje tramita somente online, “permitindo que a
solicitação e seu acompanho sejam realizados de qualquer lugar”. Jovine
Henrique, do departamento de Gestão de Sistemas da prefeitura de Araucária
(PR), concorda com isso. Segundo ele, as respostas para as dúvidas e pendências
têm maior agilidade, “reduzindo o tempo de espera, pois a comunicação é online”
e tudo é armazenado em nuvem, assegurando a segurança dos dados.
Gestão
pública digital é caminho sem volta
As
cidades inteligentes se tornaram uma tendência mundial e hoje há iniciativas
inovadoras nos setores administrativos de diversos municípios. As três esferas
de poder no país estão mais abertas à readequação de métodos, comprovando
estudos de entidades ligadas ao setor que indicam como um caminho sem volta o
uso da tecnologia no setor público.
Ainda
em 2018, a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e
Comunicação (Brasscom) projetava para o Brasil um crescimento anual de 27% no
ranking de desempenho global de computação em nuvem até 2021. Por outro lado, a
Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) mostrou que estamos em
nono lugar no volume de investimentos em tecnologia da informação.
Além
de representar aprimoramento no serviço público e facilidade para a população,
a gestão digital é uma oportunidade econômica para empresas do disputado setor
da tecnologia da informação. A catarinense IPM Sistemas atua na área há mais de
duas décadas, tendo dedicado oito anos exclusivamente para desenvolver e
homologar um sistema próprio de computação na nuvem. Esse foi o diferencial
para ter um produto que gera diminuição de despesas para as prefeituras,
conduzindo à consolidação nos estados do Sul do País e a expansão de atividades
para o Sudeste do Brasil, atendendo hoje em municípios de São Paulo, Minas
Gerais e Espírito Santo.
Quando
montou a empresa, em Rio do Sul, Aldo Mees queria criar soluções em softwares
para que prefeituras pudessem elevar a arrecadação e, principalmente, melhorar
o atendimento à população. “O grande problema no Brasil era o alto custo para a
implantação da gestão digitalizada. Adquirir servidores, licenciar sistemas,
construir o espaço físico ideal, fazer a manutenção dos equipamentos, ter
energia, refrigeração e segurança física exigia um suporte financeiro muito
elevado, algo que em um país com carga tributária tão elevada quanto a nossa
tornava inviável o processo”, diz.
Por
causa disso, Mees e sua equipe precisaram inovar. E, ao concluir um sistema
próprio, passaram a comercializar uma ferramenta digital mais acessível, que
não exige a implantação de um Centro de Processamento de Dados próprio do
município. “Funciona tudo online. Tanto gestores quanto o cidadão comum acessam
a ferramenta pela Internet usando um smartphone, um tablet ou
um notebook a qualquer horário do dia, em qualquer lugar do
mundo. Imagine o prefeito em uma viagem para Florianópolis ou para Brasília.
Pelo próprio celular ele pode, por exemplo, assinar vários documentos
digitalmente, evitando o acúmulo de trabalho para quando retornar ao seu
município” destaca.
Cidades
que fazem gestão pública digital divulgam gastos com COVID-19
A
chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil levou a IPM Sistemas buscar meios
de auxiliar os gestores públicos. A ferramenta oferecida pela empresa ganhou
uma nova e fundamental função: ser uma eficiente ferramenta de controle dos
investimentos relativos à doença.
Prefeituras
que já eram digitais puderam facilmente cumprir a missão de dar transparência
aos gastos com a compra de materiais e medicamentos destinados ao combate à
COVID-19. Os dados são incluídos no sistema e automaticamente ficam disponíveis
no Portal da Transparência da cidade. E, de modo simples e prático, qualquer
pessoa pode saber o quanto está sendo investindo, a quantidade de material
adquirida e quais são os fornecedores.
Em
Itapiranga, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, a população de pouco mais
de 16 mil moradores vive a preocupação com o COVID-19. “Mas nós temos que dar
atenção total também para mostrar quanto estamos investindo, quais produtos
estamos adquirindo e de quem estamos comprando para assegurar a qualidade de
vida dos cidadãos. A tecnologia nos dá a tranquilidade e a segurança de que
essas informações ficam à disposição da sociedade e dos órgãos de
fiscalização”, comenta o prefeito Jorge Welter.
Ele
conta que, por meio do sistema digital da IPM a prefeitura realizou o primeiro
pregão eletrônico para a aquisição de máscaras de proteção. “E foi algo que nos
possibilitou ainda contribuir para a economia de Santa Catarina, pois a
vencedora foi uma empresa de Blumenau, que nos deu a melhor opção, com produto
de qualidade e menor preço”, afirma.

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