Embraer tem prejuízo de R$ 1,28 bi e Latam tem resultado negativo de US$ 2,1 bi; B2W e Magalu rebaixadas por BBI e mais
As restrições de mobilidade causadas
pela pandemia do coronavírus se intensificaram em meados de março, o que atingiu
o resultado das empresas do setor aéreo. A Embraer divulgou nesta sexta-feira
que registrou um prejuízo líquido de R$ 1,276 bilhão no primeiro trimestre do
ano, ante R$ 160,8 milhões em igual período do ano passado.
Por
sua vez, a Latam, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados
Unidos na semana passada, anunciou que registrou um prejuízo líquido de US$
2,12 bilhões no primeiro trimestre do ano, o equivalente a R$ 11,5 bilhões. Em
igual período de 2019, o prejuízo foi de US$ 60 milhões. A companhia não possui
ações negociadas na B3.
No
radar de recomendações, B2W (BTOW3) e Magazine Luiza (MGLU3) tiveram a recomendação reduzida a
neutra pelo Bradesco BBI por conta do valuation.
A
Alupar e a International Meal Company (IMC, dona das marcas Viena e Frango
Assado) divulgam balanço após o fechamento dos mercados.
Embraer
(EMBR3)
A
fabricante de aeronaves Embraer registrou um prejuízo líquido de R$ 1,276
bilhão no primeiro trimestre do ano, ante R$ 160,8 milhões em igual período do
ano passado. Já o prejuízo ajustado foi de R$ 433,6 milhões, ante R$ 229,9
milhões entre janeiro e março de 2019.
O
Ebitda ficou negativo em R$ 209,1 milhões, ante negativo em R$ 53,7 milhões no
comparativo anual.
A companhia também negocia com BNDES e bancos privados um financiamento de R$
3,3 bilhões, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”. Os recursos, que
podem ser liberados ainda em junho, serão usados para atender demanda de jatos
executivos e comerciais da empresa para os próximos meses.
Segundo
o UBS, a Embraer teve resultado melhor do que o esperado, apesar dos dados de
pré-entrega piores do que o esperado. As vendas caíram 23%, a US$ 634 milhões,
com base nas entregas mais baixas na aviação comercial e executiva.
Dito
isto, o Ebitda ajustado de US$ 65 milhões (margem de 10,2%) foi muito melhor do
que a estimativa do banco de US$ 31 milhões (margem de 3,5%). “A margem
bruta chegou a 29% contra nossa estimativa de 19% e, mesmo quando o ajuste
contábil de custos relacionados a licenças pagas, as margens ainda teriam
chegado a cerca de 21%”, avaliam os analistas do banco.
Em
teleconferência, a companhia informou que a a aviação executiva e áreas de
defesa e segurança permanecem resilientes desde o início da pandemia, que provocou
maior impacto na aviação comercial.
A
companhia não recebeu pedidos de cancelamento desde o início do surto e
“permanece com posição de dívida confortável, apesar das incertezas”, disse
Antonio Carlos Garcia, vice-presidente financeiro e de Relações com
Investidores. A Embraer tem volume baixo de vencimentos nos próximos 24 meses.
O executivo também vê retomada de atividade em mercados-chave na Europa e nos
EUA, com utilização de jatos menores e vê oportunidades em aviação executiva –
já que muitos clientes podem passar a preferir voos compartilhados – e espera
novas oportunidades em defesa.
Na
revisão da estratégia para os próximos 5 anos, avalia iniciativas para
potenciais parcerias para desenvolvimento de produtos, serviços de engenharia e
eventualmente para produção. “Muito cedo para dar detalhes sobre parcerias”. A
“Embraer sairá da crise mais enxuta”, disse o CEO, Francisco Gomes Neto.
Já
em comunicado à CVM, a empresa afirmou que avalia potenciais parcerias, mas que
no momento não há nenhuma em negociação. O comunicado é em resposta à matéria
da Reuters da última sexta-feira de que a fabricante de aeronaves estaria atraindo interesse da
chinesa Comac e da russa Irkut. Com isso, no último pregão, na máxima do dia,
os ativos subiram 18,62%, a R$ 8,28, para depois fecharem com ganhos mais
modestos, de 2,44%.
Latam
Airlines
A
companhia aérea Latam, que entrou com pedido de recuperação judicial nos
Estados Unidos na semana passada, anunciou que registrou um prejuízo líquido de
US$ 2,12 bilhões no primeiro trimestre do ano, o equivalente a R$ 11,5 bilhões.
Em igual período de 2019, o prejuízo foi de US$ 60 milhões.
Já
as receitas da empresa recuaram 6,8%, para US$ 2,35 bilhões entre janeiro e
março.
A
maior parte desse prejuízo, segundo a empresa, foi causado por um ajuste na
conta de ganhos de capital da empresa. A mudança está relacionada às perdas
geradas pelo coronavírus e possuem efeito apenas contábil.
Os
analistas do Bradesco BBI seguem com visão negativa para as ações da empresa.
“Nosso rating “underperform” está baseado em 50% da receita líquida da empresa
ser proveniente do tráfego internacional; baixa liquidez do caixa; falta de
detalhes sobre o plano de reestruturação; e potencial de queda (dos papéis) de
11%.”
No
último dia 26, a Latam entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados
Unidos, Equador e Estados Unidos. As afiliadas na Argentina, Brasil e Paraguai
ficaram de fora desse processo.
Magazine
Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), CBD (PCAR3) e Americanas (LAME4)
O
Bradesco BBI reduziu as recomendações de Magazine Luiza e B2W para neutro, mas
com o aumento do preço-alvo dos papéis. A alteração se deu devido ao desempenho
recente desses papéis, que deixou os múltiplos que fazem a relação entre o
valor da empresa e a receita total de vendas (EV/GMV) acima dos picos
históricos.
“Vamos
assim algum risco de queda, pois o crescimento das vendas totais deve diminuir
com a reabertura das lojas no segundo semestre”, avaliaram, em relatório a
clientes.
Os
analistas destacaram ainda o crescimento do comércio eletrônico no Brasil, com
o aumento da participação em relação as vendas totais. O preço alvo das
ações da B2W passou de R$ 78 para R$ 100 e o da Magazine Luiza de R$ 56 para R$
65.
A
XP Investimento fez uma revisão de suas recomendações para o setor de varejo. A
Lojas Americanas foi elevada para “compra” e o Grupo Pão de Açúcar rebaixado de
“compra” para “neutro”. Já os papéis da B2W foram mantidos em “neutro”.
“Vimos
uma aceleração importante das vendas on-line entre abril e maio, com algumas
das maiores plataformas do país registrando mais de 200% de crescimento anual
médio de GMV no período”, explicou, em relatório, o analista Pedro Fagundes.
Embora
esse crescimento não deva ser mantido no futuro, devido à reabertura das lojas
físicas, o analista destaca o aumento dos usuários dos canais digitais e o
fortalecimento da estratégia de multicanalidade.
O
preço alvo da Lojas Americanas está em R$ 36 para o final do ano, ante R$ 22,
baseado no progresso da estratégia multicanal.
No
caso do Grupo Pão de Açúcar, o preço-alvo foi reduzido de R$ 100 para R$ 70 e a
recomendação caiu para “neutra”. A XP avaliou que os resultados das vendas da
varejista no primeiro trimestre foram mais fracas que o esperado. Também se
espera “um aumento mais gradual do que o esperado da rentabilidade da operação
de varejo no Brasil”.
No
caso da B2W, o preço-alvo foi elevado de R$ 60 para R$ 105, mas a recomendação
foi mantida em neutra.
A
Petrobras levantou R$ 676,8 milhões com a venda de sua participação em sete
campos terrestres de petróleo no Rio Grande do Norte (RN). A venda foi feita à
3R Petroleum.
Dos
sete campos, com capacidade de produção diária de 5 mil barris, a Petrobras
tinha participação de 100% em seis deles. Apenas no de Sanhaçu a estatal tinha
uma fatia menor, de 50%.
A
Petrobras informou que iniciou a fase não-vinculante do processo de venda da
sua participação, de 35%, Campo de Manati, localizado na Bacia de Camamu (BA).
Os
potenciais compradores habilitados para essa fase recebem um documento mais
detalhado sobre o ativo, que tem a concessão de produção marítima em águas
rasas.
Cosan
(CSAN3)
A
Cosan registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido de R$ 102,2
milhões, queda de 74,2% na comparação com igual período do ano passado. O
Ebitda no período foi de R$ 1,98 bilhão, alta de 36,7%.
Os
analistas do Itaú BBA consideraram os números positivos, em especial os
provenientes da Raízen. Já para o Morgan Stanley, os dados foram mais fracos
que o esperado, mas são explicados pelo atual cenário. “O negócio de gás
natural surpreendeu e mais uma vez impulsionou o Ebitda. Nós acreditamos que o
trimestre mostrou a qualidade das operações da Cosan e os benefícios de um
modelo de negócios diversificado”, avaliaram, em relatório a clientes.
Copasa
(CSMG3)
A
Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) calcula que precisa investir
entre R$ 22 bilhões e R$ 25 bilhões para universalizar o acesso a água e esgoto
nos 600 municípios em que atua, segundo informou o jornal “Valor Econômico”.
A
empresa entrou para a carteira de privatização do BNDES. O governo de Minas
Gerais defende a venda integral da empresa, mas o BNDES irá avaliar também
outros modelos, como o de concessão ou de parceria público privada (PPP).
CSN
(CSNA3)
A
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou na sexta-feira a paralisação do
alto-forno 2 de sua usina em Volta Redonda (RJ). A paralisação foi causada pela
redução da demanda por aço no país intensificada pela epidemia de Covid-19.
Usiminas, Gerdau e ArcelorMIttal já haviam anunciado paralisação de parte de
seus fornos.
Na
avaliação dos analistas do Itaú BBA, o desligamento é um sinal negativo para o
setor. “O fato de a CSN ter optado por desligar seus equipamentos quase dois
meses após decisões semelhantes foram tomadas pela Gerdau, Usiminas e
ArcelorMittal indica que a empresa ainda está projetando uma demanda deprimida
por um período prolongado. Esse desenvolvimento tem, portanto, uma leitura
negativa para o setor”, avaliaram, em nota a clientes.
Bancos
Atenção
para duas notícias que movimentam o setor bancário. Na última sexta-feira,
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (DEM-RJ), afirmou que
considera difícil qualquer tipo de aumento na carga tributária para compensar a
queda de receita pública por causa da pandemia de coronavírus. Existem
atualmente projetos no Senado para aumentar o imposto corporativo de bancos,
como alíquota da CSLL.
“A
fala é positiva para bancos, uma vez que tais aumentos impactam diretamente o
valor dos mesmo. Um aumento de 5% a 20% na CSLL poderia diminuir o valuation
dos bancos em até 27%”, destaca a XP Investimentos.
Já
na tarde de sexta-feira, o Conselho Monetário Nacional decidiu estender a
resolução 4.797 até o fim de 2020. O projeto: i) veda o pagamento de dividendos
e juros sobre capital próprio acima do mínimo requerido de 25%; ii) proíbe a
redução de capital pelos bancos; e iii) proíbe o aumento da remuneração de
administradores e conselheiros. A medida tem como objetivo a preservação do
capital pelos bancos para que possam conceder crédito e ter base para absorção
de eventuais perdas. A medida estará em vigor até o fim do ano;
“Nossa
visão ainda é negativa, pois a medida reduz a flexibilidade de distribuição
pelos bancos. Porém não acreditamos que o impacto será grande, devido aos
seguintes motivos: i) já acreditávamos que bancos tenderiam a ser conservadores
ao distribuir dividendos nesse momento de incerteza de qualquer maneira; ii)
como a medida é válida apenas em 2020, bancos ainda podem realizar o payout que
acharem adequado já no início de 2021 através de dividendos; e iii) payout de
2020 representam uma pequena parte do valor dos bancos sob nossa cobertura”,
destaca a XP.
Conforme
a equipe de análise, a maior mudança agora é que bancos não podem aproveitar em
2021 o benefício fiscal de juros sob capital próprio relativo a 2020, ou seja,
2020 de fato terá uma distribuição menor. Anteriormente à extensão, os bancos
ainda poderiam distribuir JCP no limite regulatório durante o quarto trimestre,
o que não será mais possível. Como resultado, dessa vez o impacto deve ser
maior, uma vez que bancos devem ter um imposto efetivo mais alto.
O
Bradesco assinou um termo de compromisso junto ao Banco Central no âmbito de um
processo sigiloso no qual vai pagar uma multa de R$ 92,2 milhões, segundo
informou a Bloomberg.
Além
da multa, a instituição financeira se compromete a encerrar falhas em registro
de operações suspeitas de lavagem de dinheiro, segundo documento publicado no
site do Banco Central.
Outro
compromisso assumido pelo banco é o de não mais deixar de comunicar ao Conselho
de Controle de Atividades Financeira operações com movimentações atípicas.
Duratex
(DTEX3)
A
Duratex informou nesta segunda-feira que a LD Celulose, parceria com a
Lenzinge, estruturou financiamentos no total de US$ 1,15 bilhão para a
construção de uma unidade de celulose solúvel.
A
operação feita junto ao BID e IFC soma US$ 1 bilhão. Metade desse valor tem
prazo de vencimento em 11 anos e a outra parcela, em 9 anos.
Além
disso, há um total de US$ 147,2 milhões que foi estruturado junto à Finnvera, com
vencimento em 13 anos.
JBS
(JBSS3), BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3)
Autoridades
da China disseram às principais empresas agrícolas estatais para interromper a
compra de alguns produtos agrícolas norte-americanos, incluindo a soja e a
carne suína, enquanto o governo de Pequim avalia a escalada das tensões com os
Estados Unidos sobre Hong Kong, segundo disseram fontes à Bloomberg.
As
tradings estatais Cofco e Sinograin receberam a ordem de suspender as compras,
mas empresas privadas não receberam a orientação de interromper as importações.
A suspensão é mais um sinal de que o difícil acordo comercial de primeira fase
entre as duas maiores economias do mundo está em risco.
“Vemos
impacto mais direto da notícia para a JBS, devido às suas operações de carne
suína nos EUA (12% da receita no primeiro trimestre de 2020) mas ainda há
poucos detalhes para quantificarmos tal suspensão da China. Vale lembrar que a
JBS também exporta para China através de suas operações no Brasil, enquanto
tanto ela, quanto Marfrig e BRF são empresas muito bem posicionadas
geograficamente. De qualquer maneira, monitoraremos tal situação”, destaca a
equipe de análise da XP.
BrasilAgro
(AGRO3)
A
BrasilAgro anunciou a venda da Fazenda Alto Taquari, em Mato Grosso (MT), por
R$ 11 milhões, segundo o fato relevante divulgado nesta segunda-feira.
A
fazenda tem uma área de 105 hectares úteis e o valor da venda corresponde a
1.100 sacas de soja por hectare útil. O comprador realizou um pagamento inicial
equivalente a R$ 1,7 milhão e o restante será pago em cinco parcelas anuais.
“A
referida venda se insere na estratégia de negócios da companhia que objetiva,
além de ganhos com produção agrícola, a realização de ganhos de capital com a
venda das propriedades”, informou a BrasilAgro em fato relevante à CVM.
Grendene
(GRND3)
A
Grendene comunicou que irá retomar, de forma parcial, as atividades nas
unidades de Sobral, Crato e Fortaleza, segundo fato relevante enviado nesta
segunda-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A
retomada atende decreto do governo do estado e também prevê a redução da
jornada e salários em 70%.
As
unidades de Crato e Fortaleza retomam as operações nesta segunda-feira,
obedecendo o limite de 20% de percentual máximo de trabalhadores que poderão
atuar de modo presencial. Em Sobral, no período de 1º a 7 de junho os
funcionários estarão dispensados do trabalho utilizando o banco de horas,
retornando no dia 8.
CVC
(CVCB3)
A
CVC informou, na sexta-feira, que irá adiar para até 31 de julho a apresentação
de suas demonstrações financeiras de 2019. A empresa informou que ainda há
indícios de erros em sus contabilização.
No
final de fevereiro, a operadora já tinha informado sobre esses erros na
contabilização de valores transferidos a fornecedores.
“Não foi possível, até o presente momento, finalizar a elaboração das
demonstrações financeiras referentes ao exercício social de 2019, não apenas em
virtude do grau de complexidade envolvido naqueles processos, mas também pelos
impactos e restrições operacionais decorrentes da pandemia de Covid-19”,
informou a empresa.
Multiplan
(MULT3) e JHSF (JHSF3)
A
Multiplan anunciou que retomará as operações do Ribeirão Shopping e do Shopping
Santa Úrsula, ambos em Ribeirão Preto (SP), nesta segunda-feira.
Os
dois estabelecimentos irão funcionar com horário restrito, das 16h às 20h,
atendendo ao decreto da prefeitura.
Já
a JHSF vai reabrir o Shopping Ponta Negra, em Manaus (SP), e o Hotel Fasano
Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), a partir desta segunda-feira.
No
dia 3 de junho, será retomada a operação do Catarina Fashion Outlet, em São
Roque (SP).
Os
shoppings funcionarão com horário de atendimento reduzido.
Fonte: Equipe InfoMoney

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