Governador Carlos Moisés passa a ser investigado na CPI dos Respiradores


O governo de Santa Catarina contratou com a Intelbras no fim de março a compra de 100 respiradores para tratamento de coronavírus ao custo de R$ 7 milhões. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (21) na CPI dos Respiradores que investiga a aquisição de 200 respiradores pulmonares pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) com a Veigamed.

A polêmica compra por R$ 33 milhões paga de forma adiantada para 200 equipamentos (ao custo de R$ 165 mil por unidade) contrasta com a compra feita com a Intelbras por um valor muito menor (R$ 70 mil por unidade). Em um dos documentos consta a assinatura do governador Carlos Moisés (PSL). Por isso, agora ele passa a ser investigado pela CPI.

Segundo o deputado Milton Hobus (PSD) o processo de compras dos respiradores pela Intelbras para a SES não foi encerrado. Hobus comentou também que o procedimento adotado foi correto, pois o pagamento será feito mediante a entrega do produto.

“Para a empresa fake, a Veigamed, que não tem expertise, se pagou antecipadamente R$ 33 milhões. Dois pesos e duas medidas para um negócio que a Intelbras poderia trazer os 200 pela metade do preço”, disse Hobus.

Até a publicação da reportagem, o governo do Estado não havia enviado nota sobre o porquê adotou duas medidas distintas para a compra do mesmo equipamento.

Na quinta-feira foi confirmado que os 50 respiradores importados da Veigamed que estão parados no aeroporto Hercílio Luz estão aptos a serem liberados, o que pode ocorrer nesta sexta-feira (22). O destino deles, conforme determinação judicial, é a Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), que repassará os equipamentos para o governo estadual.

Protocolo de intenções

O protocolo de intenções assinado no dia 24 de março entre o governo (pelo governador e pelo então secretário de Saúde, Helton Zeferino) com a Intelbras autorizou a empresa a importar 100 respiradores do modelo VG70 fabricados pela chinesa Aeonmed. Esses equipamentos são do mesmo modelo oferecido pela Veigamed ao Estado no início do processo de contratação, que depois foi mudado para o modelo Shangrila.

Pelo protocolo, a Intelbras se comprometeu a fornecer ao governo catarinense os respiradores pelo preço de custo de compra mais as despesas de importação e tributos incidentes sobre os produtos. Esse processo de compra foi feito por meio de dispensa de licitação e a garantia dos produtos deve ser atestada, se necessário, diretamente com a fabricante.

O valor que será pago pelo governo pelos 100 equipamentos é de R$ 7.147.387,50 – sendo que R$ 311.886,00 são de despesas com a importação.

Intelbras confirma compra, mas diz que há risco de cancelamento

Em nota enviada à imprensa, na quinta-feira (21), a Intelbras confirmou que o governo comprou da empresa catarinense os respiradores. Mas afirmou que, diante das dificuldades de confirmação da autorização para a importação, corre-se o risco de cancelamento da compra.

A intermediação da compra dos respiradores foi feita pela Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e pela ACM (Associação Catarinense de Medicina).

O contato com a Intelbras foi feito no início de março. A empresa diz que se sensibilizou diante da situação da pandemia e, com sua experiência em logística internacional, foi atrás de fornecedores chineses que pudessem vender os equipamentos. O modelo e a validação técnica dos aparelhos foi realizada por um grupo médico ligado à ACM.

Com o aval técnico, a Intelbras comprou os equipamentos, pagou de forma antecipada por conta da alta demanda. Segundo a empresa, fora os valores de importação o custo de uma unidade foi de R$ 66,8 mil, preço que é um dos menores do mercado.

Fonte: https://ndmais.com.br/noticias/governador-carlos-moises-passa-a-ser-investigado-na-cpi-dos-respiradores/?fbclid=IwAR2W-_eAKn08iKDkN282P-yJqKmRWkerxs8z6hhJhzWa7HILSrknPRmNMSc

 


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